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Cesta natalina têm variação de até 1.200% em Petrolina

Antes de fazer as compras a secretária pesquisou em outro supermercado e por fim acabou gastando R$ 500 na ceia para quatro familiares.

A variação de preços dos produtos típicos da ceia de natal chega a ser de 1.200% nas quatro regiões de Petrolina. A comemoração marcada pela mesa farta sairá mais cara para o bolso dos consumidores este ano, segundo dados extraídos das notas fiscais da Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz).

Segundo levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), a cesta composta por 214 itens mais consumidos nesta época do ano, agrupados em 30 categorias de bens e serviços, mostra que os preços medidos através do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) apresentam avanço médio de 9,4% nos 12 meses encerrados em novembro. Mantido esse ritmo de reajuste, o Natal de 2020 apresentará a maior alta de preços desde 2015 (+11,0%).

A secretária escolar Andréa Melo, moradora do bairro Cohab Massangano, bairro na zona oeste da cidade de Petrolina, levou um susto ao se deparar com os produtos típicos bem mais caros. “Fiquei surpresa ao ver o quanto os itens da ceia natalina estavam absurdamente mais caros. Em média eu imaginava gastar R$ 300. O preço do peru então, vi no supermercado de até R$200”, contou.

Antes de fazer as compras a secretária pesquisou em outro supermercado e por fim acabou gastando R$ 500 na ceia para quatro familiares.

O pão doce frutado, tradicionalmente consumido nessa época do ano, pode ser encontrado desde valores bem acessíveis a extremamente altos. Responsável pela maior diferença desta lista, o produto (na apresentação de 400g) tem preços que se iniciam em R$5,99. O produto mais caro à venda nos supermercados petrolinenses custa R$89,90, preço 15 vezes maior que o produto mais em conta.

A ave, que vem substituindo o peru na ceia dos brasileiros, possui uma variação menor. O quilo do chester congelado é encontrado a partir de R$13 e pode chegar a R$27,99. Já versões mais elaboradas, como o produto desossado, pronto ou defumado pode chegar até R$64,90. Alimento símbolo do período natalino, o peru congelado está custando entre R$16,98 e R$26,99 por cada quilo.

Segundo o economista Carlos Menniger Matos, o fator que mais contribuiu para o aumento do preço dos produtos que compõem a cesta natalina foi o aumento do dólar e a desvalorização do real. “Isso encarece os produtos importados e de alguma forma encareceu o preço na gôndola do supermercado e das lojas. Outro aspecto é a demanda também, que foi aquecida pelo auxílio emergencial. Então as pessoas estão adquirindo e comprando um pouco mais, isso tem feito o comércio se recuperar”, avaliou.

Além das dificuldades diretamente impostas pela pandemia, a desvalorização cambial de 32,3% nos últimos 12 meses encerrados em novembro tem impactado significativamente os preços de diversos produtos mais demandados nesta época do ano, especialmente alimentos.

Nos 12 meses encerrados em outubro, por exemplo, os preços destes produtos medidos pelo Índice de Preços ao Produtor (IPP) do IBGE subiram 36%, ante uma variação média dos preços ao consumidor final de 12%, de acordo com o IPCA, calculado pelo mesmo Instituto.

O motorista  Wilson Chagas, 32 anos, morador do bairro Areia Branca, Zona leste da cidade,  ainda não foi ao supermercado e embora não tenha feito pesquisa e tenha deixado para a última hora, está receoso com relação aos preços. “A gente já vinha presenciando aumentos bem antes das festas natalinas e agora com o aumento da demanda a expectativa não é muito boa com relação aos preços”, disse.

Aumento das vendas no varejo

Como a principal data comemorativa para o varejo brasileiro, o natal é a principal deve movimentar cerca de R$ 38,1 bilhões neste ano. A expectativa Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) de crescimento do volume de vendas nesta época do ano passou de 2,2% para 3,4.

O aumento previsto nas vendas deverá ser puxado pelo e-commerce, confirmando a importância dos negócios virtuais para o setor desde o início da pandemia. A CNC projeta crescimento real de 64% das vendas via varejo eletrônico voltadas para o Natal deste ano frente ao mesmo período do ano passado.

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