Política

Eleição no interior: a importância dos pequenos municípios

Dos 185 municípios, Pernambuco, possui 73 com população abaixo de 20 mil habitantes.

Já faz um tempo que as instituições políticas brasileiras vêm perdendo crédito frente à população. Antes do início da Operação Lava Jato, 52% da população dizia não confiar em partidos políticos. Atualmente, já são 69% da população, segundo pesquisa do Datafolha. 

Desde então, vivemos um declínio na relação de confiança entre a sociedade e os políticos, processo no qual se começa a depositar esperança em figuras que não pertençam à classe política, para justamente poder transformá-la. 

 O Brasil possui atualamente  5570 municípios e 70% deles são pequenos, isto é, com até 20 mil habitantes. Além das questões gerenciais nos municípios, é importante pensar no papel dos pequenos municípios, que têm baixa capacidade administrativa, baixa arrecadação, forte dependência de transferências estaduais e federais, mas que são a maioria no país, também para a mudança do processo político. 

Pernambuco

Em 2022, metade da população pernambucana se concentra em 14 municípios do Estado com mais de 100 mil habitantes, seguindo a tendência observada no resto do Brasil: Recife, Jaboatão dos Guararapes, Olinda, Caruaru, Petrolina, Paulista, Cabo de Santo Agostinho, Camaragibe, Garanhus, Vitória de Santo Antão, São Lourenço da Mata, Santa Cruz do Capibaribe e Abreu e Lima.

Ao todo, esses municípios citados têm 4.898.109 milhões de pessoas, distribuídas por nove cidades da Região Metropolitana do Recife (RMR) e cinco polos regionais: Caruaru (4º lugar), Petrolina (5º lugar), Garanhuns (9º lugar), Vitória de Santo Antão (10º lugar) e Santa Cruz do Capibaribe (13º lugar). A capital pernambucana apresenta a maior população do Estado, com 1.653.461 habitantes.

Vale lembrar que Pernambuco é o sétimo estado mais populoso do País com 9.616.621 habitantes, o que representa 4,5% da população nacional. Dos 185 municípios, Pernambuco, possui 73 com população abaixo de 20 mil habitantes

OS PEQUENOS MUNICÍPIOS E A POLÍTICA NACIONAL

Vale lembrar que para se definir os 81 senadores e 513 deputados do Congresso Nacional, é preciso saber que a trajetória de grandes políticos geralmente não começa em Brasília, mas em municípios e estados, onde as primeiras alianças são estabelecidas. Quando esses mesmos políticos passam a ocupar cargos na esfera federal, continuam favorecendo seus aliados locais por medo das consequências que um rompimento com o modo vigente traria para as próximas eleições para cada partido, segundo a obra “Barões da Federação”, do cientista político Fernando Abrucio. 

ELEIÇÃO NO INTERIOR INFLUENCIA A POLÍTICA NACIONAL?

O primeiro passo para uma transformação local está em : conhecer uma política baseada no diálogo e não na troca de favores. A velha política ainda está profunda e culturalmente enraizada a ponto de uma campanha ser considerada inovadora simplesmente por ser feita dentro da lei. É notório que existem problemas do sistema político brasileiro que acontecem também a nível nacional e pequenas transformações locais tem força para gerar impacto em escala.

Por isso, é extremamente importante superar o divórcio das instituições políticas com a sociedade, trabalhar em um processo de educação e renovação na base, onde as relações políticas começam a ser construídas, e olhar para os pequenos municípios como parte importante do processo. Existem diversos pequenas comunidades pelo Brasil e pensar a política através dessas realidades pode ser fundamental para alcançar as mudanças que o país deseja.

 

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