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Não dá certo: parem de construir viadutos para resolver problemas de mobilidade em Petrolina

No mesmo momento em que o transporte público no Brasil enfrenta sua maior crise, a construção de viadutos aparenta ser uma solução bastante convincente para os problemas de mobilidade urbana das nossas cidades.

No final da década de 70, o então prefeito de Petrolina, Diniz Cavalcanti, inaugurou talvez, a maior obra na cidade: o viaduto dos Barranqueiros. A expectativa, na época, era de que o viaduto trouxesse uma possível solução para os problemas de mobilidade urbana na capital do Sertão a partir de uma maior fluidez do tráfego na região. Porém, com o passar do tempo, o que se pôde observar foi um aumento da frota de veículos na cidade que trouxe de volta o fantasma dos congestionamentos nos horários de pico, e a obra que prometia solucionar a mobilidade da cidade já não é mais suficiente.

Especialistas em planejamento urbano e de transportes  notam que nem todo viaduto será capaz de resolver o problema de mobilidade urbana de uma região e, em alguns casos, poderia até piorar. Foi nesse sentido que diversos viadutos foram ou demolidos ou desativados ainda no século passado. Exemplos como o viaduto Harbor Drive, em Portland, demolido em meados de 1970, teve sua área convertida em um parque. E a Central Freeway, em San Francisco, demolida após um terremoto danificar parte considerável de sua estrutura e a reconstrução não ter sido cogitada pelo poder público, sendo em seu lugar projetado a Octavia Boulevard, importante e premiada avenida da cidade.

Entretanto, aqui no Brasil, União, Estados e Municípios continuam intensificando os investimentos na construção de viadutos e propagando-os como possível solução para os problemas de mobilidade das cidades brasileiras. Segundo o Ministério da Infraestrutura, somente no ano de 2020, das 92 obras entregues pelo ministério, ao menos 11 envolveram a construção de viadutos.

Em Petrolina, no sertão do São Francisco pernambucano, indo na contramão do que pensam os especialistas, o prefeito da cidade decidiu que o município precisava de mais dois viadutos para dar mais mobilidade ao tráfego. Porém, sendo projetados em uma grande Avenida, a 7 de setembro, as obras, ao invés de ajudar, pioraram tudo que estavam aos seus redores. Um deles já foi inaugurado, e o segundo será inaugurado nesta sexta-feira, 17 de setembro, desse 2021.

Além de não melhorarem o tráfego, trouxe mais engarrafamentos nas horas de pico causando transtornos a transeuntes, ciclistas e motoristas. Sem contar que desnudou o que antes já se falava: a desigualdade social, onde a cidade ficou conhecida como o lado A dos ricos e o lado B, dos pobres.

Os empresários do local em nada ficaram satisfeitos com as obras, até porquê, trouxe desconforto para seus clientes, fazendo com que o fluxo de vendas caísse absurdamente. Erros que poderiam ser evitados, se apenas a duplicação da via permanecesse e se abrisse outros canais de viabilidade, como rotatórias e pontos de retornos menos distantes.

É preciso maturidade para compreender que o planejamento urbano e o planejamento de transportes não são ciências exatas e soluções aparentemente óbvias podem não ser as melhores. Se construir casas não resolveu o problema da moradia das cidades brasileiras, construir viadutos e alargar vias certamente também não irá resolver o problema da mobilidade urbana de nenhuma cidade do mundo, muito menos do Brasil.

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