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Não vai ter impeachment de Bolsonaro!

Apesar de toda essa situação, que poderia facilmente ser implicada em crime de responsabilidade, Bolsonaro - eleito democraticamente pelas urnas eletrônicas cuja lisura ele mesmo coloca em xeque - não deve sofrer impeachment. Preocupado está, o seu descontrole mental prova isso, mas não com um afastamento.

A prevaricação de Bolsonaro sobre a questão da vacina, evidente nos recentes fatos da Covaxin, a vacina indiana, explodidos pelo deputado Luís Miranda e seu irmão na CPI da Pandemia, é algo notório. A cada dia que passa fica líquida e certa essa modalidade de crime previsto no Código Penal imputado ao inquilino do Alvorada.

Apesar de toda essa situação, que poderia facilmente ser implicada em crime de responsabilidade, Bolsonaro – eleito democraticamente pelas urnas eletrônicas cuja lisura ele mesmo coloca em xeque – não deve sofrer impeachment. Preocupado está, o seu descontrole mental prova isso, mas não com um afastamento.

Saracotear pelo impeachment e bradar isso nas redes sociais são coisas normais do jogo eleitoral para a oposição, contudo, muito além do aspecto jurídico, o impedimento de um presidente é um processo político que depende das duas casas que compõem o Congresso Nacional.

O presidente da Câmara Federal, Arthur Lira (PP-AL), se coloca em um alinhamento escancarado com o governo federal. Está sentado, há tempos, em diversos pedidos de abertura e não demonstra sinal de utilização desse remédio amargo da democracia.

As recentes votações na Casa baixa com aprovações folgadas mostram que Bolsonaro ainda sustenta a base. Está agarrado com o Centrão, esse mesmo que agora o puxa para sinais de corrupção com o nome de Ricardo Barros (PP). Tem a barganha das emendas do tratoraço que, nunca antes na história do País, beneficiou tanto o núcleo do meio nas bases.

No Senado, apesar das críticas e notas, Rodrigo Pacheco (DEM-MG) também não demonstra movimento que venha favorecer um impeachment. Apesar da CPI da Pandemia, somente instalada pela clara interferência do Supremo Tribunal Federal (STF), o mineiro, que sonha em ser candidato a presidente da República, com seu tom diplomático, não quer ter digitais no caso, somente se instado for por obrigação meramente legal, caso o processo seja aberto.

Outro fato: já situei outras vezes que o vice de Bolsonaro também não é do jogo político. Mourão (PRTB) não é Michel Temer (MDB) com a expertise da articulação e, por isso, está escanteado como o emedebista também ficou, mas aquele reagiu.

Aras, o baiano procurador geral da República, tem buscado se viabilizar para mais um mandato à frente do Ministério Público Federal (MPF) e já demonstrou, e deve fazer ainda mais agora, seu alinhamento com as hostes bolsonaristas. Uma blindagem necessária e estratégica ao presidente.

Os únicos movimentos concretos que toda essa celeuma traz são: o pulo do gato para a manutenção da CPI com a extensão do seu prazo de funcionamento e o devido processo histórico político. Essa articulação, sim, tende a continuar com a medida de desidratação do governo federal e do presidente pouco a pouco, sem tempo de reação que vise o pleito do próximo ano. A antecipação da eleição de 2022 feita por Bolsonaro é um sinal disso.

* Victor Pinto 

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