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Petrolina: clínicas populares atraem pacientes pelo preço e ajudam a apressar cirurgias no SUS

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Em janeiro do ano passado, a dona de casa Carmencinda  Lopes, 42, sentiu uma estranha dor no peito e o braço veio a adormecer. Imaginou que aquilo não era um bom sinal e decidiu procurar um cardiologista.

Dona Carmem (como é conhecida), não tem plano de saúde particular, então procurou atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS) na cidade de Petrolina, no Sertão de Pernambuco, conhecida  como a Capital do São Francisco. A dona de casa, foi atendida por um clínico geral, que solicitou a realização de dois exames: um ecocardiograma e um exame mais complexo, o de holter (que monitora os batimentos cardíacos).

Um ano depois, Dona Carmem recebeu os resultados dos exames. Ela só conseguiu retornar ao clínico no mês passado, e recebeu uma nova tarefa: agendar um teste ergométrico.

“Continuo sentindo aquelas dores e não sei nada sobre elas até agora. Se fosse algo muito complicado, eu já teria morrido e sem saber o motivo”, afirma.

Para escapar de situações como a da Dona Carmem, muitos  pacientes têm optado por clínicas particulares que oferecem preços populares. Muitas vezes, a estratégia é a de pagar pelos exames para conseguir entrar o mais rápido possível na fila de cirurgias do SUS. Em Petrolina um número bastante considerável de clinicas particulares, estão espalhadas por diversos bairros periféricos do município.

As Clínica das periferias oferecem um cardápio de exames que podem ser realizados a partir de R$ 12,00, além de consultas com profissionais de diversas áreas com preços que  variam de R$ 60,00 a 90,00. Um achado para quem não via luz no fim do túnel, já que hospitais e laboratórios particulares praticam preços acima da média.

A funcionária pública Suely Cordeiro, 41, decidiu ser uma das diversas pessoas que buscam atendimento em uma clínica da Zona Oeste de Petrolina. Ela foi agendar um exame de Ultrassonografia após ser informada que o tempo de espera no SUS seria de dois anos. Na unidade que ela foi atendida, o exame saiu por R$ 110,00, o procedimento  e pode ser feito em cerca de uma semana.

“Vim por indicação da minha sobrinha  e aqui é bem mais em conta do que em outras clínicas. Não poderia esperar dois anos no SUS”, disse a funcionária.

As especialidades médicas mais procuradas nessas clínicas são aquelas de baixa complexidade, como ginecologia e oftalmologia. No SUS, os atendimentos dessa natureza são os que custam mais barato para o Ministério da Saúde, mas a demanda supera a oferta nos postos de atendimento. A grande procura por essas especialidades acaba, em alguns casos, prejudicando a qualidade das consultas, que precisam ser feitas rapidamente.

É essa a queixa do Pedreiro, Marcio Sanderly, 28. Insatisfeito com o atendimento no sistema público, que nunca conseguiu apontar as causas da conjuntivite alérgica que o afeta desde a adolescência, ele decidiu pagar uma consulta em uma clinica da periferia. “O atendimento no SUS, além de demorado. Nunca foram na raiz do meu problema e não o solucionaram, apenas me ajudaram com os sintomas. Agora vou tentar minha sorte aqui”, desabafou o pedreiro.

“As pessoas buscam um serviço pago porque o SUS é ineficiente e pouca gente tem acesso a um plano de saúde. Nós conseguimos resolver 85% dos casos que chegam aqui”, afirma o médico Carlos Arembepe, sócio de uma  Clínica de periferia.

Essa é a realidade de muitas cidades no País e em Pernambuco. É preciso rever conceitos.

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