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Petrolina frágil: plano de retomada econômica não é viável até porque não é plano econômico

Risco na saúde:este crescimento já ocorreria devido ao processo de interiorização do coronavírus, mas, com base em experiencias de outras cidades, a flexibilização vai fazer aumentar com mais velocidade. Não será de forma linear em toda a cidade, se imagina.O que irá ocorrer nos bairros mais afetados? Existe um plano para ser posto em prática por bairros? Pelo mostrado hoje, não existe nada disso.

 

O Prefeito de Petrolina/PE, Miguel Coelho, no dia 29 de maio mostrou através de uma Live o que denominou de “Plano de Retomada Econômica de Petrolina”. O nome escolhido não é correto pois o que foi mostrado não se caracteriza como um plano de retomada econômica. O que o prefeito apresentou foi um plano gradual de flexibilização da quarentena (que teve início na cidade no dia 18 de março). Um plano de retomada econômica é mais amplo do que simplesmente a reabertura gradual e controlada de atividades de comércio e serviço. Um plano de retomada da economia trata de investimentos públicos e/ou privados visando, em última instância, que ocorram processos de estímulos para a economia, melhorias das expectativas das famílias e das empresas de tal forma que aumentem os números de empregos gerados e do Produto Interno Bruto (PIB). Não é isso que consta no “Plano de Retomada Econômica” da cidade de Petrolina. Depois de mais de 60 dias com portas fechadas dos estabelecimentos, com o desemprego que foi gerado e a desconfiança das pessoas que o pior em termos de saúde pública ainda está por vir, a simples reabertura gradual e controlada não garante que haverá retomada econômica.

Além do mais existe um conjunto de incertezas e questionamentos. O prefeito justifica sua decisão com base, inicialmente, em um conjunto de dados estatísticos. Contudo, ele não apresentou as principais informações: qual é a velocidade atual de crescimento do número de casos na cidade? Está crescendo mais rápido do que a média do estado de Pernambuco? Está aumentando mais rápido do que a média nacional? Uma outra questão está relacionada com o número de leitos em UTI disponíveis na cidade. Quanto é este percentual? Onde é possível acompanhar esta informação? Finalmente ele não fez a correlação entre o índice de isolamento social e o crescimento do número de casos confirmados. Vale lembrar que ainda nesta mesma semana houve uma ação educativa (post em rede social) da própria prefeitura de Petrolina indicando que a queda no isolamento social estava levando a um aumento do número de casos.

O prefeito ainda informou na Live que a cidade de Petrolina tem recebido pacientes de outras cidades! E é notório o aumento de casos em todas as cidades da região. Com base nos dados apresentados de número de respiradores (11 novos), 20 leitos de UTI no HU, por exemplo, como se pode garantir que isto é suficiente para uma população que ultrapassa facilmente as 500 mil pessoas (Petrolina mais outras cidades da região)? As informações mostradas para indicar que houve tempo do setor de saúde se preparar para um pico de casos são muito frágeis.

Por outro lado, o prefeito não mostrou nada em termos de planejamento para o caso de ocorrer aumento do número de infectados devido a flexibilização da quarentena. O que vai acontecer quando crescer o número de casos? Não basta ele torcer para que isto não ocorra ou jogar a culpa para a população que não fez a sua parte. Este crescimento já ocorreria devido ao processo de interiorização do coronavírus, mas, com base em experiencias de outras cidades, a flexibilização vai fazer aumentar com mais velocidade. Não será de forma linear em toda a cidade, se imagina. O que irá ocorrer nos bairros mais afetados? Existe um plano para ser posto em prática por bairros? Pelo mostrado hoje, não existe nada disso. A impressão que passa é que o Prefeito não tem um plano para colocar em prática no caso de aumento do número de casos. Ficou parecendo que ele acha que se o número de casos aumentar, basta dar uma pausa na flexibilização que tudo se resolve. Não é assim que funciona no mundo real, só no mundo da fantasia. E com o aumento do número de casos, os estabelecimentos voltariam a fechar? O prefeito não esclareceu isto também. Qual seria o novo impacto disto para a saúde e para a economia? O empresário acabou de demitir o(s) funcionário(s). Com a flexibilização ele o(s) recontrata(m). O número de casos pós flexibilização aumenta e o comércio tem que fechar de novo. O empresário vai demitir de novo o(s) funcionário(s)? Qual o custo de tudo isso?

Finalmente, os estabelecimentos irão funcionar em horário normal, ou seja, 8 horas por dia? Todos os dias da semana e final de semana como funcionava antes da pandemia? Não seria mais prudente uma reabertura mais cautelosa, com um horário de funcionamento menor, de quatro horas por dia ou de até 6 horas por dia em “turno corrido”?

O que fica de impressão é que em Petrolina (Juazeiro/BA dispensa comentários) o que ocorreu nesta pandemia é uma sequência de decisões equivocadas e atrapalhadas, sem base alguma de estudos técnicos. O primeiro caso aconteceu na cidade no dia 23 de março, depois o segundo ocorreu no dia 25 de março e o terceiro caso só foi confirmado no dia 07 de abril. No dia 23 de abril, um mês depois do primeiro caso, a cidade tinha apenas 25 casos confirmados. Não teria sido possível monitorar os casos confirmados com maior empenho e ter mantido o setor de comércio e serviços funcionando? Neste período, o litoral estava vivendo um forte crescimento do número de casos, mas o sertão ainda não! As decisões não poderiam ser tomadas do litoral ao sertão da mesma forma pois o número de pessoas infectadas e transmitindo a doença eram muito diferentes. O prefeito tinha a obrigação de fazer o Governador entender isto. Talvez isto fosse tão óbvio que o Governador nunca deveria ter feito um decreto para todo o estado, na realidade. Faz apenas 15 dias que Petrolina/PE ultrapassou a marca de 100 casos confirmados. Com 100 casos confirmados aí sim, existe a necessidade de se entrar com medidas de restrição e forte isolamento. Petrolina fará o inverso a partir de segunda feira (01/06). Será a primeira cidade do Planeta a estimular a redução do isolamento social justamente no período da disseminação do vírus.

Para finalizar, todo mundo é extremamente sensível com a situação dos empresários e empreendedores da região. Contudo, as decisões são impactantes demais e deveriam ter sido acordadas de uma forma diferente da que está sendo colocada agora. Deveriam ter sido acordadas e de forma diferente desde o início, em meados de março.

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3 pensamentos “Petrolina frágil: plano de retomada econômica não é viável até porque não é plano econômico”

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