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Petrolina:vereadores evangélicos vão perder votos essenciais

Segundo Carlos Paschoal Dimitri,  um historiador evangélico que vive em Petrolina, conta o que estes religiosos pensam da chamada “bancada evangélica”, e que não é bem assim que a banda toca.

Na quinta-feira (19), aconteceu a última sessão ordinária da Câmara dos vereadores de Petrolina, e a  maioria dos vereadores que se declaram evangélicos na Câmara votou neste ano por diversos projetos controversos e que endividaram o município ou reajustou diversos impostos que apertaram ainda mais o bolso do Petrolinense,  ajudando a manter a política ditatorial do prefeito Miguel Coelho.

O líder da bancada dita evangélica, Ruy Wanderley (PSC) guiou o voto a da bancada da sigla citando uma nova “cara da cidade”. No entanto, no decorrer deste ano, certos discursos, não só do líder da bancada evangélica, desagradou fiéis que defendem a investigação de casos como a dos 4 milhões de reais para a imprensa e outras atitudes tomadas  de forma incondicional, mas de todos que discursaram em favor de certos projetos.

Segundo Carlos Paschoal Dimitri,  um historiador evangélico que vive em Petrolina, conta o que estes religiosos pensam da chamada “bancada evangélica”, e que não é bem assim que a banda toca.

Evangélico de “mente aberta”, como se define,Carlos Paschoal Dimitri, preferiu não se identificar para evitar eventuais represálias. Ele já teve diversos cargos em igrejas e explicou por que manifestações contrárias aos políticos da religião costumam ser tímidas na política.

“Os evangélicos são instruídos para não se movimentarem nem fazerem manifestações públicas sobre seus irmãos de fé”, diz C.P.D.

“Inclusive as igrejas evangélicas possuem comissões próprias, juntas conciliadoras (de litígios internos), para evitar que certos casos cheguem à Justiça expondo o nome de evangélicos à pessoas não evangélicas. Não querem que a igreja sofra danos à sua imagem. Por isso é extremamente difícil os evangélicos fazerem manifestações contra os seus próprios irmãos. Os líderes tradicionais orientam os fiéis a inclusive evitar manifestações contra políticos porque acreditam que foi Deus quem os escolhera”.

A “exceção” a esta nomeação divina, segundo o entrevistado, são os “líderes mais radicais”, como Silas Malafaia e Marco Feliciano, que cresceram na política por “terem poder de mídia”.

“Acredito eu que a maioria dos evangélicos não compactua com Elias Jardim e Osinaldo Souza pelo radicalismo que ambos possuem. Muitos evangélicos possuem muito respeito pelos gays e políticos de esquerda. Lula e Dilma inclusive tiveram muitos votos deles (evangélicos). O que fez a maioria dos evangélicos se afastar do PT foram as denúncias de corrupção. Os evangélicos são ensinados a respeitarem os homossexuais, mas também a não concordarem com a prática. Portanto, esses vereadores não possuem apoio da maioria dos evangélicos, ao contrário do que parece ser. Tanto é que ao não se sentirem representados no meio em que viviam, Osinaldo Souza já trocou de igreja várias vezes. Vindo no mesmo galope,Elias Jardim, nada diz na igreja que congrega”

Segundo veículos de imprensa gospel de Petrolina, parlamentares evangélicos apoiaram Miguel Coelho para concretizarem políticas que desejam realizar, como a aprovação do Estatuto da Escola sem Partido, que prevê o endurecimento da lei que proíbe a prática de “certos”ensinamentos  nas escolas, e o fim da circulação de material escolar que mostra mensagens sobre homossexualidade e sobre a chamada “ideologia de gênero”.

Diante desta política de “troca-troca”, Carlos Paschoal Dimitri,  acredita que a bancada evangélica pode sofrer problemas políticos no futuro por ter apoiado Miguel Coelho contra a denúncia por alocar 4 milhões  para a mídia na cidade, sem ao menos dizer para onde tal recurso está sendo destinado.

“Hoje a maioria da bancada evangélica (na Câmara) é fiel a Miguel Coelho, para tristeza de seus eleitores. Se possível, verifique as redes sociais desses vereadores e observe como os eleitores dos mesmos estão tratando eles. Como historiador, estou em dúvida se em 2020 essa bancada sofrerá ou não uma redução, visto que política é considerada por muitos cientistas políticos como uma nuvem. Mas se as eleições fossem hoje, seria quase impossível essa bancada não sofrer uma amarga derrota nas urnas”, diz o fiel.

Sou evangélico desde minha infância. Minha família tem inúmeros líderes evangélicos, inclusive meus pais e irmãos. Tive certo contato com esses vereadores evangélicos quando eles vieram ao meu bairro com Miguel Coelho (prefeito). Mas ,isso foi há muito tempo. As religiões evangélicas aqui do meu bairro se mobilizavam em prol de eleger evangélicos. Mas, Elias, Osinaldo, Alex de Jesus e Ruy Wanderley raramente vêm aqui agora, pois as portas se fecharam para eles aos poucos. Meu bairro, o Gercino Coelho, tem, talvez, o maior percentual de evangélicos na cidade. Muitos religiosos se elegeram aqui. Mas com estas e outras decepções, esse número vem se reduzindo. Vários dos representantes evangélicos eleitos em Petrolina são enrolados. Também existe o vereador Ruy Wanderley que é bem avaliado. Mas ele também acompanhou o prefeito. Isso pode fazer as igrejas evangélicas se afastarem da política”,Carlos Paschoal Dimitri.

Eu mesmo não tenho coragem de votar em pessoas que representam religiões na política. Nunca votei. Isso não quer dizer que religiosos não merecem representação, mas acontece que a religião protestante possui um sistema de dominação e conquista que é efetivo onde atua. Se agir na política, como a maioria dos parlamentares, será impossível que as demais classes da sociedade tenham liberdades que (evangélicos) possuem hoje. E, em segundo lugar, os políticos que representam religiões não vivem na política, aquilo que pregam em igrejas. As instituições religiosas então se tornam vítimas dos políticos religiosos, assim como os fiéis e a população no geral”, conclui.

 

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