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Trabalho infantil em feiras livres de Petrolina cresce a olho nu

Resultado de imagem para crianças em feiras livres de petrolinaPetrolina em Pernambuco é destaque em tudo que faz. Por conta disso, os olhos do Brasil e do mundo estão voltados para a cidade que é alardeada por ser um oásis no Sertão esturricado. No entanto, fatos desagradáveis também não passam despercebidos aos olhos de quem olha de perto. E um dos fatos que chama a atenção, tem sido nesses últimos meses,  o crescente número de crianças trabalhando nas feiras livres do município.

A capital do São Francisco, como é conhecida, conta com seis (6) feiras livres cobertas que são abastecidas pelas frutas , verduras e carnes que a cidade produz. Se você leitor for em qualquer uma delas que estão espalhadas por diversos bairros, sempre as encontrá cheias de gente.  As feira livres se tornaram ponto de encontro dos que gostam de fazer compras ao ar livre, no entanto também,  é ponto para que muitas crianças que  sofrem com a falta de perspectivas, sejam levadas a perder sua infância em detrimento de ter dinheiro para ajudar a família. Um ano depois de afastar do trabalho infantil diversas crianças que passavam os domingos carregando encomendas para os clientes,  hoje é possível vê-las em grande número nas feiras livres do município.

Resultado de imagem para crianças em feiras livres de petrolina“São crianças de 8 a 15 anos, muitas visivelmente em situação de abandono, com bicho de pé, problemas dentários, vê-se que não têm assistência nenhuma. A família muitas vezes aluga ou compra o carrinho para os meninos poderem trabalhar”, conta a feirante  Marinalva Cardoso Dantas.

Depois da ações realizadas  em 2015 e 2016, as crianças que trabalhavam nas feiras,  foram encaminhadas para a rede de proteção social local. Muitas famílias passaram então a receber o Bolsa Família, que exige um nível de 85% de frequência escolar das crianças do domicílio, uma forma de mantê-las longe do trabalho.

O assunto é controverso, e muitas pessoas entendem que criança tem que trabalhar. Enquanto o blog fazia a reportagem na feira da Cohab Massangano,muitos feirantes , disseram  que estávamos nos metendo numa coisa que era certa, que era bom criança trabalhar pra não virar marginal. O que podemos perceber é que na verdade essa situação é muito confortável para eles, que gostam de ter os meninos carregadores por perto, para atrair e convencer o cliente a levar mais dos seus produtos.

Em Petrolina, o problema de crianças trabalhando no comércio informal extrapola as feiras e chega também a outro ambiente, onde a situação é tão comum que quase não chama atenção: As ilhas de Petrolina e Balneário das Pedrinhas. Quem vai à ilhas do Rodeador, do Fogo ou no Balneário das Pedrinhas sempre encontra crianças vendendo ou atendendo em barracas nesses lugares.

Em 2016,Petrolina recebeu a comenda importante do Selo do Unicef, pelos trabalhos realizados no enfrentamento contra o trabalho infantil, e ações de prevenção contra abusos infantis. É preciso chamar o poder público para se movimentar nessa direção, pois a onda crescente de crianças trabalhando em feiras livres de Petrolina cresceu acentuadamente, e se faz necessária uma ação urgente por parte dos atores públicos para atenuar esse caso.

Por Cauby Fernandes

@lingua

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