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Usina Nuclear: Lossio envia documento ao governador contra a ideia de Fernando Bezerra

"Valeria a pena por tanta coisa em cheque, por algo que podemos ter a um custo infinitivamente menor quando comparado com os riscos? Com todo o respeito: Essa usina não deve ser instalada no Brasil. Essa usina não pode ser instalada em Pernambuco"

O  líder do Governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB), anunciou que irá procurar o governador Paulo Câmara, nos próximos dias, para convencê-lo a aceitar a instalação de uma usina nuclear no município de Itacuruba, investimento, segundo ele, da ordem de U$ 2,5 bilhões.

Bezerra explicou que o Governo Bolsonaro está retomando o projeto de abertura de novas usinas no País e que no caso de Pernambuco a melhor localização ainda continua sendo Itacuruba, conforme estudos anteriores.

“Pernambuco não pode ficar de fora, em todo lugar do mundo existe usina nuclear, que gera uma energia limpa, sem nenhum risco”, disse. Sobre a reação negativa da população quando se discutiu o assunto em governos anteriores, o senador afirmou que não há mais preconceito em relação à energia nuclear.

“O que o sertanejo tem medo é de fome”, advertiu, ao responder pergunta como a população de Itacuruba iria receber a notícia. O líder avaliou que o governador não poder abrir mão de tamanho investimento, que só nas obras de instalação irá gerar cerca de 14 mil empregos diretos.

Por conta dessa notícia, o ex-prefeito de Petrolina, Julio Lossio, enviou ao governador,Paulo Câmara, um ofício onde externa toda a sua indignação quanto ao fato. Lossio diz saber  que, em tempos de crise e desemprego, as promessas megalomaníacas de grandes investimentos e geração de empregos seduzem os homens de visão imediatista ou com interesses gigantescos.

No ofício, ela ainda externa que é de causar calafrios pensar na possibilidade da instalação de uma usina nuclear em Pernambuco, sobretudo às margens do Rio São Francisco.

Ele ainda alega que depois que passar as fases de construção e instalação, onde empregos seriam criados, logo após, ao terminar tais instalações, o que restaria, seria o real risco de vazamento nuclear, cujas consequências seriam devastadoras para região do São Francisco, para Pernambuco e para o Brasil.

Lossio, no oficio, lembrou o acidente da usina de Chernobyl, na antiga União Soviética no ano de 1986. O ex-prefeito ainda  salientou que o as partículas radioativas que vazaram no acidente foram detectadas em vários países da Europa, contudo Rússia , Ucrânia e Bielorrúsia foram os mais atingidos pela proximidade.

A Bielorrúsia país membro da antiga união soviética teve 23% de seu território atingido, tendo perdido cerca de 264 mil hectares de terras cultiváveis por conta da radiação. Ele ainda lembra que  somente o polo de irrigação de Pernambuco e Bahia no São Francisco possui cerca de 160 mil hectares que seriam prejudicados, caso acontecesse um acidente.

“Valeria a pena por tanta coisa em cheque, por algo que podemos ter a um custo infinitivamente menor quando comparado com os riscos? Com todo o respeito: Essa usina não deve ser instalada no Brasil. Essa usina não pode ser instalada em Pernambuco”, conclui Lossio no oficio destinado a Paulo Câmara.

Leia na íntegra o documento:

OFÍCIO Nº. 001/2019 – JEMLM.

Petrolina-PE, 03 de abril de 2019.

Assunto: Rio São Francisco.

Excelentíssimo Governador,
1. Acabo de ler a matéria veiculada nas mídias sociais em que o Senador Fernando Bezerra defende a instalação de uma usina de energia nuclear em nosso estado, mais precisamente na cidade de Itacuruba, às margens do São Francisco.
2. Senhor Governador, sei que, em tempos de crise e desemprego, as promessas megalomaníacas de grandes investimentos e geração de empregos seduzem os homens de visão imediatista ou com interesses “iceberguianos”.
3. O nosso Rio São Francisco já alimenta as turbinas geradoras de energia limpa das nossas hidro-elétricas de Xingo, Paulo Afonso I, II ,III e IV, Sobradinho, Apolonio Sales e Itaparica. Nos últimos anos também observamos em todo Nordeste uma expansão extraordinária das usinas eólicas, que já produzem cerca de 80% da energia consumida na região, e que ainda possui grande capacidade de expansão. Estamos ainda vivendo o início do processo de expansão da energia solar, por meio de micro geração e com grandes parque solares, cujo potencial, falando apenas do nosso semiárido, é gigantesco.
4. Causa-me calafrios pensar na possibilidade da instalação de uma usina nuclear em nosso estado, sobretudo às margens do nosso Velho Chico. Passado o momento do investimento inicial, com a geração de empregos – na sua grande maioria de baixo valor agregado, nas obras de construção civil, o que nos restaria?
– Uma usina nuclear com capacidade de produzir 6600 megawatts? Energia essa que poderia ser facilmente gerada por fontes mais seguras, a exemplo da Eólica e solar.
– E um passivo que podemos dividir em dois grandes aspectos: O primeiro diz respeito ao real risco de vazamento nuclear, cujas consequências seriam devastadoras para região do São Francisco, para Pernambuco e para o Brasil. Basta lembrar o acidente da usina de Chernobyl, na antiga União Soviética no ano de 1986. Vale salientar que o as partículas radioativas que vazaram no acidente foram detectadas em vários países da Europa, contudo Rússia , Ucrânia e Bielorrúsia foram os mais atingidos pela proximidade. A Bielorrúsia país membro da antiga união soviética teve 23% de seu território atingido, tendo perdido cerca de 264 mil hectares de terras cultiváveis por conta da radiação. Só a título de comparação, o polo de irrigação de Pernambuco e Bahia no São Francisco possui cerca de 160 mil hectares.
5. O prejuízo estimado pelo governo da Bielorrússia entre 1986 e 2016 causado pelo acidente foi de cerca de 235 bilhões de dólares. Nessa escala, o valor de investimento da ordem de 2,5 bilhões de dólares torna se insignificante. A região de Chernobyl deverá permanecer inabitada por 20 mil anos, ou seja, 10 vezes o que a humanidade já viveu desde a era Cristã.
6. Imaginemos um vazamento nuclear às margens do São Francisco, com contaminação radioativa da água que utilizamos para consumo humano, animal e para a irrigação em todo semiárido? Imaginar tal situação é viver um pesadelo acordado.
7. Utilizo aqui o exemplo de Chernobyl, pois foi ele o mais grave e emblemático sobre o assunto. Mas poderíamos falar também do acidente com o Césio 137, em Goiânia. Ou mesmo o acidente em Three Mule Island, na Pensilvânia, ou o que ocorreu na Usina de Mayak, na cidade de Ozyorsk. Além desses, poderíamos aqui também citar os mais recentes, como o de Tokaimura, no Japão (1999), ou a explosão de um reator na usina de Severk, na Sibéria (1993), ou até mesmo Fukushima, também no Japão, em 2011.
8. O segundo é que teríamos ainda um grande risco de imagem para nosso estado e região, pois, no mundo das fake news, quem consumiria frutas vindas de uma região onde “dizem” ter havido um vazamento nuclear? Quem gostaria de consumir o leite de nossas bacias leiteiras, usar as roupas do nosso polo de confecção ou frequentar as praias em um estado onde dizem ter havido um vazamento nuclear?
9. Valeria a pena por tanta coisa em cheque, por algo que podemos ter a um custo infinitivamente menor quando comparado com os riscos?
10. Com todo o respeito: Essa usina não deve ser instalada no Brasil. Essa usina não pode ser instalada em Pernambuco.
11. Assim sendo, Governador:
Salve a terra dos altos coqueiros!
De belezas soberbo estendal!
Nova Roma de bravos guerreiros
Pernambuco, imortal! Imortal!

Atenciosamente,

JULIO EMILIO LOSSIO DE MACEDO
Ex-Prefeito de Petrolina-PE, gestões 2009-2016.

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1 pensou em “Usina Nuclear: Lossio envia documento ao governador contra a ideia de Fernando Bezerra”

  1. Doido do governador que permitir uma maluquice dessa,nunca mais vai dormir em paz,estará colocando uma bomba no seu território,olhe lá se ele não vai ganhar uma comissão pra vim com estas ideias aqui para pernambuco, ai Não dar ponto sem nó .

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